Era uma tarde de quarta-feira, esse dia da semana era tão chato, nada de interessante na TV, nenhum lugar para sair, também, o que ela queria, estávamos no meio da semana ainda. Ninguém iria sair para encher a cara em plena quarta-feira. Para ela não importava o dia da semana ou se alguém estaria disposto a encher a cara com ela, não precisava de ninguém, apenas de algumas notas na carteira para conta e para o táxi da volta.
E lá foi ela, em busca de uma boa biriba. E olhe que ela não era muito forte para essas coisas, bastava um gole de alguma coisa um pouco forte que já era o bastante para seu olho esquerdo passar a enxergar pelo direito. Em meia hora já estava na sua sexta dose, o batom já não estava mais na sua boca, e sim no copo e o cabelo, ah o cabelo, parecia mesmo uma juba de leão de tão rebelde.
“-Garçom, por favor, traga-me mais uma dose! Quero tomar todas hoje, vamos lá, não se preocupe, prometo dar umas boas gorjetas pelo serviço.” Isso era o que o pobre do garçom mais ouvia. A louca não parava de gritar suplicando por doses. O garçom acabara se divertindo com as coisas loucas que aquela bêbada irreverente falava. A cada momento ela mudava o pronome de tratamento para se referir ao pobre homem. Mas no final deixava bem claro que ele faria a festa com a boa gorjeta que ela daria.
Houve um momento que ela tomou conta do motivo que a levara a estar naquele bar, era Abril, o tão insuportável Abril. Era tantas lembranças, que aos poucos se misturavam com o efeito que as doses estavam causando. As doses acabaram ajudando para alguma coisa, acabou tendo uma fabulosa idéia. Pensou que poderia colocar Abril em uma caixa, fechar com um belo laço, e que só o libertaria quando Maio chegasse.