domingo, 18 de setembro de 2011

Um trem, um barco e um livro


Sophia, cor de nuvem e olhos de pérola, moça capaz de tomar a atenção de qualquer um que passasse menos de cinco minutos com ela. Expressava-se de uma forma tão cativadora que hipnotizava a todos. Levava consigo livros, músicas, segredos e suas aventuras dos diversos passeios que tivera com Pietro, aquele que tinha o castanho na cor dos olhos e preto nos cabelos encaracolados.
Os dois tinham uma coisa em comum: adoravam fazer passeios, mas não passeios comuns, optavam por fazer aqueles que pouquíssimas pessoas optariam, diziam que não gostavam de fazer coisas de gente normais para não parecem chatos. Os passeios aconteciam geralmente no fim da tarde, mais precisamente às 13h: 16min quando saia da estação o trem que tinha vagões vermelhos, cor preferida de Sophia, ela dizia que era uma cor forte que indicava a vida, a morte e o amor. Pietro dizia que a parte mais encantadora do passeio era quando passava sobre a grande ponte de pedra, ele dizia que o barulho do rio ,que sob ela corre, era capaz de desligá-lo do mundo. Já Sophia, adorava os arcos delicados que enfeitavam a ponte, ficava olhando para cima em direção aos arcos, e para baixo, onde enxergava minúsculos pontos que eram casas a distância.
Dividiam a atenção entre o encantamento da paisagem e as deliciosas palavras de Caio Fernando Abreu, livro surrado que Sophia levava com ela para todo lugar que ia. O livro ficava sobre a mesa e tinha as folhas iluminadas por um abajur de luz branda que ficava logo ao lado.
Fechavam o dia com chave de ouro trocando o trem por um barco na água e quando a noite já tomava conta do ambiente. Suas luzes tênues na distância, como uma pequena luz vermelha no céu negro enchiam os dois de felicidades, os olhos deles brilhavam iguaizinhos os de crianças quando vêem sacos potes de jujubas.
Mas, como a verdade é que todos estão sozinhos nesse mundo independente de está numa época de sofrimento ou felicidade, Sophia não iria ser a privilegiada de escapar desta fatalidade, pois Pietro por mais que passasse tardes com ela fazendo passeios inusitados e apaixonantes não conseguiria diminuir nem um terço da solidão que ela sentia até por que ele não era nada mais que um personagem criado a fim de tapar os buracos da solidão com a estopa que lhe dispõe.

O inverno que me aquece.

O inverno, a estação do encontro, o encontro dos frios, o que vêm de dentro pra fora, e o que vai de fora pra dentro. O frio transforma-se no aquecedor dos solitários, no refúgio dos sem saída, na casa dos abandonados. O barulho da chuva acalma e o do vento torna-se uma agradável conversa que faz o tempo passar numa fração de segundos, num piscar de olhos.
As roupas ficam mais elegantes, as pessoas tendem a ficar mais amorosas, aconchegantes, mas não pode se enganar, isso ocorre pelo efeito do inverno nelas, que em vez de aquecer esfriam, esfriam por fora, pois por dentro já são frias de natureza. Os pássaros vão se aquecer, uns nas asas dos outros, os animais sempre se ajudam, me refiro aos animais irracionais, por que os racionais mal conseguem dividir um pedaço de pão, imagine aquecer uns aos outros.
É preciso esperar para que o inverno chegue para poder ficar aquecido, um tanto confuso isso, mas é o que faço todos os anos. Aqueço-me com o barulho dos pássaros, o barulho que deixei guardado só pra mim, visto aquele velho blusão comprido fedido a mofo, pego a maior xícara da casa e ponho café até quase transbordar pelas beiradas, meias até as canelas, por favor, nada de pentear as madeixas, elas dançam de acordo com o vento e assanhadas do jeito que gostam. Sento em frente a janela, observo, observar é o que me resta fazer, até que o frio pare de esquentar e que o calor volte a esfriar as coisas aqui por dentro.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Esquece e segue.

Esquece e segue. És tão bela, tem um futuro esplêndido pela frente. Vai, confia no que eu to dizendo, esquece. Não me refiro aos momentos, que precisará levar com você para que se lembre que pode ser mais feliz do que foi. Não dos sentimentos, que deve ajudá-la a sentir com mais maturidade. Refiro-me ao que já não vale mais apena o que está desgastado. Pare de pensar no “e se”, não te levará a nada, muito menos a algum lugar. Segue. Mas siga com segurança e com a leveza que sempre coube em você. Sim, pode chorar às vezes e pensar em desistir, mas só fique pensando mesmo, desistir não é uma palavra boa para os que costumam dar a volta por cima.
Um dia hei de vir o que é seu de verdade, não de mentirinha que só aparece para fazer feliz um pouquinho, iludir e depois sair deixando para trás, ou melhor, para você, a mesma destruição que um tornado faz. Quem sabe um dia, em um futuro distante, o que foi embora volte, afinal, tudo que é nosso um dia há de voltar.

"A estopa que se dispõe."


Falta, uma coisa que mais cedo ou mais tarde pode-se vir a sentir. Falta do que já foi, do que não foi, do que não deu certo, do que deu certo, do que teve, do que não tem mais, do que acendeu e que já foi apagado. A falta aparece assim, no decorrer dos anos, dias, horas, segundos, milésimos... Do nada ela surge.
A falta às vezes serve para tapar a ausência que ela mesma faz. Confuso não? Também acho, mas, é a verdade. A falta vem da lembrança do que foi bom ou ruim. Ah, palavrinha poderosa, aglomera-se de um jeito, que sei não... Me pego pensando nesse exato momento da falta dos meus bons momentos.
Muito embora, sentir falta de alguém ou de algum momento, não é uma coisa tão ruim assim, afinal, se faz falta é porque valeu à pena. Outro dia eu li que: “entre as coisas que a gente se lembra e as de que não se lembra, entre as que conhece e as que desconhece, é preciso tapar os buracos da memória com a estopa que se dispõe.” Vai ver a falta é exatamente isso, a estopa que sempre estará à disposição.

terça-feira, 10 de maio de 2011

CHU - VA.

Linda menina, tu que carrega um nome tão pequenino, que tens um som encantador capaz de acalmar qualquer um. A companhia dos solitários, a musa inspiradora dos apaixonados. Da mesma forma que acalma também irrita quando, mesmo que sem querer, estraga algum plano ou adia algum acontecimento.
Sim, com a chegada dela também acontecem alguns desastres, mas quem nunca cometeu um que atire a primeira pedra, afinal tudo que é intenso acaba causando algum tipo de desastre. No caso dela de tanto pingar, cair, lavar, acaba desabando e matando, nem sempre isso acontece, ainda bem. 
Obrigada Deus por fazê-la existir, um fenômeno que enche de esperança o coração do sertanejo que não agüenta mais olhar para sua lavoura e ‘ver tudo indo por água abaixo’, ops, houve um trocadilho aí, ‘ver tudo indo por sol abaixo’. O amarelo sem vida se transforma de forma espetacular em verde, o verde cria um sentimento de conforto e relaxação, de calma e paz interior.
Cinco letras, três consoantes e duas vogais:  CHU - VA!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Quarta-feira.

Era uma tarde de quarta-feira, esse dia da semana era tão chato, nada de interessante na TV, nenhum lugar para sair, também, o que ela queria, estávamos no meio da semana ainda. Ninguém iria sair para encher a cara em plena quarta-feira. Para ela não importava o dia da semana ou se alguém estaria disposto a encher a cara com ela, não precisava de ninguém, apenas de algumas notas na carteira para conta e para o táxi da volta.
E lá foi ela, em busca de uma boa biriba. E olhe que ela não era muito forte para essas coisas, bastava um gole de alguma coisa um pouco forte que já era o bastante para seu olho esquerdo passar a enxergar pelo direito. Em meia hora já estava na sua sexta dose, o batom já não estava mais na sua boca, e sim no copo e o cabelo, ah o cabelo, parecia mesmo uma juba de leão de tão rebelde.
“-Garçom, por favor, traga-me mais uma dose! Quero tomar todas hoje, vamos lá, não se preocupe, prometo dar umas boas gorjetas pelo serviço.” Isso era o que o pobre do garçom mais ouvia. A louca não parava de gritar suplicando por doses.  O garçom acabara se divertindo com as coisas loucas que aquela bêbada irreverente falava. A cada momento ela mudava o pronome de tratamento para se referir ao pobre homem. Mas no final deixava bem claro que ele faria a festa com a boa gorjeta que ela daria.
Houve um momento que ela tomou conta do motivo que a levara a estar naquele bar, era Abril, o tão insuportável Abril. Era tantas lembranças, que aos poucos se misturavam com o efeito que as doses estavam causando. As doses acabaram ajudando para alguma coisa, acabou tendo uma fabulosa idéia. Pensou que poderia colocar Abril em uma caixa, fechar com um belo laço, e que só o libertaria quando Maio chegasse. 

quinta-feira, 17 de março de 2011

Falta.

Hoje depois de ler um texto percebi ainda mais a falta que você me faz, até hoje não entendo o motivo de termos nos distanciado tanto. Você sempre ficou do meu lado e eu do seu na nossa rotina sempre jurávamos ficar sempre uma do lado da outra. Mas, as coisas sempre tendem a mudar, sempre aparece alguém para estragar meus planos, chegou a hora que irracionalmente, prefiro pensar assim, você decidiu em não me ter por perto, isso mesmo, saí da barra de sua saia.

Mudei de cidade, larguei toda uma vida, eu chorava tanto ao me despedir dos meus amigos, e da minha prima então, você parecia ter uma alegria quando arrumava minhas roupas, escolhendo o que ficava com você e o que ficava comigo, já que usávamos as mesmas roupas, eu chorava, batia  o pé dizendo que não queria deixar tudo pra lá. Não tive saída, você já tinha tomado a minha decisão, o jeito era chorar mais um pouco e aceitar.

Eu tento não demonstrar o quanto preciso de você, às vezes quando estou em casa sozinha fico lembrando das nossas conversas, de nossas trocas de segredos de quando eu falava abertamente com você, lembra quando eu te falei do meu primeiro beijo? E de quando você ficou do meu lado para pedir a meu pai para eu namorar pela primeira vez? São tantas coisas boas que passamos.
Sabia que sinto sua falta e tento tapear essa falta me apegando a pessoas que aparecem em minha vida? Pois é, faço isso mesmo, sei que é bobagem onde um amor como o seu pode ser tapeado por outro não é mesmo? Mas é assim que estou conseguindo levar durante todo esse tempo, não se pode ficar chorar o tempo todo por uma coisa que não fui e nem vai ser como eu gostaria que fosse.

Sempre fingir não está nem aí por não está do meu lado, nunca deixei de te defender quando falavam mal de você, você sempre foi e será parte de minha vida.  A única coisa que me amedronta é que um dia você se torne uma perda, que se vá sem ao menos me dá um abraço, daqueles de quando só era você e eu, nós duas...aí sim não sei se vou suportar.