domingo, 18 de setembro de 2011

O inverno que me aquece.

O inverno, a estação do encontro, o encontro dos frios, o que vêm de dentro pra fora, e o que vai de fora pra dentro. O frio transforma-se no aquecedor dos solitários, no refúgio dos sem saída, na casa dos abandonados. O barulho da chuva acalma e o do vento torna-se uma agradável conversa que faz o tempo passar numa fração de segundos, num piscar de olhos.
As roupas ficam mais elegantes, as pessoas tendem a ficar mais amorosas, aconchegantes, mas não pode se enganar, isso ocorre pelo efeito do inverno nelas, que em vez de aquecer esfriam, esfriam por fora, pois por dentro já são frias de natureza. Os pássaros vão se aquecer, uns nas asas dos outros, os animais sempre se ajudam, me refiro aos animais irracionais, por que os racionais mal conseguem dividir um pedaço de pão, imagine aquecer uns aos outros.
É preciso esperar para que o inverno chegue para poder ficar aquecido, um tanto confuso isso, mas é o que faço todos os anos. Aqueço-me com o barulho dos pássaros, o barulho que deixei guardado só pra mim, visto aquele velho blusão comprido fedido a mofo, pego a maior xícara da casa e ponho café até quase transbordar pelas beiradas, meias até as canelas, por favor, nada de pentear as madeixas, elas dançam de acordo com o vento e assanhadas do jeito que gostam. Sento em frente a janela, observo, observar é o que me resta fazer, até que o frio pare de esquentar e que o calor volte a esfriar as coisas aqui por dentro.

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